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Acne em ces e gatos


Não somente os seres humanos apresentam acne, animais como cães e gatos também podem apresentar este problema. É mais frequente em animais de pelos curtos, como, por exemplo, Dobermans, Bulldogs, Boxers, Rottweilers, dentre outros.


Nos cães, a acne é mais comum em animais jovens, especialmente entre 3 a 18 meses de vida, embora possa ocorrer em animais de todas as idades. Já em gatos, não existe uma faixa etária predominante, acomete animais de todas as idades igualmente.


Trata-se de um transtorno benigno, que possui diferentes causas. Nos cães mais jovens, a principal causa do surgimento da acne é a sobrecarga do sistema imunológico subdesenvolvido desses animais. Nessa fase, a flora natural do organismo ainda não está completamente estabelecida no trato gastrointestinal. Alterações hormonais estão ocorrendo nessa fase da vida do animal. Em associação, nesse período os animais estão em período de vacinação, ou cirurgias eletivas, como conchectomia (corte da orelha) e caudectomia (corte da cauda).


Com relação aos gatos, a pele desses animais possuem glândulas que liberam uma substância que tem como função impermeabilizar o pelo, bem como liberar odores específicos para a comunicação com outros gatos e até mesmo com os seus tutores. Essas glândulas concentram-se nas patas, próximo às orelhas, na cauda e no mento (queixo).


Existem diferentes hipóteses para o surgimento da acne felina, que geralmente surgem nas regiões de maior concentração dessas glândulas. Alguns autores acreditam que uma exacerbada produção de secreção possa levar à obstrução das glândulas, o excesso de secreção pode aumentar a proliferação bacteriana no local e as alterações nas glândulas podem levar a prurido, aumentando o risco do surgimento de feridas e infecções secundárias. Outras hipóteses para a acne felina envolvem alergia ao prato de plástico, utilizado na alimentação dos animais, baixa imunidade ou acúmulo de comida e água no mento do animal.


As áreas do corpo mais acometidas são o mento, a pele circunvizinha aos lábios e, menos frequentemente, o focinho. Também pode se estender para a área vaginal. Podem surgir diversos nódulos inflamados e pústulas repletas de pus. Pode estar contido em alguns nódulos um conteúdo de coloração escura, com aparência de um pelo duro, conhecido como comedo. Também pode causar intenso prurido. Nos quadros mais severos, a região acometida fica inchada e dolorida.


O veterinário irá fazer uma detalhada anamnese, incluindo histórico, idade do animal e apresentação clínica, além de exclusão de outros transtornos de pele que levam a um quadro semelhante. Também deve ser feito um swab da área acometida, que será encaminhado para exame citológico. Ao passo que o transtorno evolui, o animal passa a apresentar um quadro de foliculite supurativa e furunculose. Caso o tratamento com antibiótico de amplo espectro não leve a resultados satisfatórios, amostras de pus devem ser colhidas para realização de cultura do material, visando determinar o antibiótico mais adequado para o tratamento da desordem.


Os quadros leves podem ter resolução espontânea, sendo necessária somente limpeza diária do local com antisséptico e, caso seja necessário, drenagem das pústulas. Já os quadros mais graves, compostos por múltiplas lesões e inchaço local, necessitam de antibiótico por via oral, antissépticos e pomadas antibióticas. A limpeza diária da pele e dos pelos ao redor da boca e no mento ajuda a diminuir o risco de desenvolvimento de acne, especialmente em animais mais propensos.



Dbora Carvalho Meldau

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