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Estomatite vesicular



A estomatite vesicular (EV) é uma doença de notificação obrigatória segundo o código zoosanitário internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), por ter disseminação mundial, morbidade significativa e potencial zoonótico. É economicamente importante devido às restrições ao comércio nacional e internacional de animais e produtos pecuários, quarentenas e queda na produtividade dos animais acometidos.

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Estomatite vesicular (EV)

A incidência é sazonal, ocorrendo após as chuvas em regiões de clima tropical, tendo a participação de insetos na cadeia epidemiológica. Os focos iniciam-se repentina e simultaneamente em localidades bem distantes umas das outras.

É uma doença infecciosa, causada por um vírus da família Rhabdoviridae, que afeta animais biungulados e ungulados, ou seja, equinos, bovinos, suínos, e há evidências sorológicas de exposição viral em alguns mamíferos silvestres, como cervos, porco selvagem, morcegos, alguns roedores, porco-espinho e várias espécies de primatas, incluindo o homem.

A estomatite vesicular é endêmica em algumas regiões do Brasil e sua transmissão não está completamente esclarecida. Os animais infectados eliminam vírus por meio de secreções e excreções, como a saliva, líquido vesicular e contaminam os animais suscetíveis em contato com pele e mucosas que apresentem lesões. O cocho, utensílios e as pessoas que lidam com os animais podem se tornar veículos da doença, assim como os insetos. Há indícios de que animais silvestres atuem como reservatórios naturais.

O mecanismo pelo qual o vírus se mantém em regiões endêmicas não está completamente esclarecido. Flebótomos (mosquitos hematófagos) podem transmitir o vírus a partir de um reservatório (plantas, animais silvestres, bovinos) ou o vírus pode ser mantido na população de moscas, por transmissão transovariana, e infectar os animais enquanto elas se alimentam.

O período de incubação da estomatite é de 24-72h e a infecção geralmente é inaparente, atingindo apenas 10-15% dos animais e caracteriza-se por causar lesões vesiculares na cavidade oral, tetos e coroa do casco, levando à salivação excessiva, dificuldade de se alimentar e andar. Há aumento no consumo de água e redução no consumo de alimentos e, consequentemente, perda de peso e queda na produção.

No homem, a EV geralmente é restrita a pessoas que mantiveram contato com animais doentes e, quando ocorre, manifesta-se de forma semelhante à gripe.

Algumas características da EV permitem diferenciá-la da febre aftosa como suscetibilidade dos equídeos, incidência esporádica, morbidade menor e predominância de lesões orais; apenas uma pequena porcentagem de animais tem lesões em mais de um local de predileção concomitantemente. Não é observada nenhuma lesão na necropsia e a EV é menos severa em animais jovens e animais estabulados, durante o período de aumento da atividade dos insetos.

A doença é branda com taxa de mortalidade praticamente nula e de morbidade baixa, variando de 5 a 10%, podendo ser maior em animais adultos, como em vacas em lactação, com maior número de partos e com lesões no epitélio dos tetos.

Em se tratando de doença vesicular e por apresentar sinais clínicos semelhantes à febre aftosa, a mais devastadora infecção viral dos rebanhos, o maior desafio da Vigilância Epidemiológica é impedir a entrada da febre aftosa em zona livre, portanto, todo caso suspeito de doença vesicular, independentemente de sua origem, deve ser investigado pelo serviço veterinário oficial em um prazo de até doze horas (§ 3º, art. 4º, Instrução Normativa nº 44, de 2 de outubro de 2007).

A impossibilidade de se fazer um diagnóstico clínico diferencial de outras doenças vesiculares, confundíveis como língua azul, doença vesicular do suíno, exantema vesicular do suíno, IBR, BVD, febre catarral maligna, varíola bovina, ectima contagioso; intoxicações e traumatismos físicos ou químicos, exige o apoio laboratorial para a confirmação do diagnóstico. O material de eleição é formado por fragmentos de epitélio vesicular, incluindo as bordas das lesões.

Durante um foco, há restrição da movimentação animal e se estabelece quarentena nas instalações com animais infectados. O isolamento dos animais sintomáticos ajuda no controle da disseminação da estomatite dentro de um rebanho. A estabulação é a medida preferencial para o isolamento dos animais porque eles geralmente são infectados quando estão no pasto. Não deve haver nenhuma movimentação de animais da propriedade infectada por pelo menos 21 dias após a cura de todas as lesões, a menos que os animais tenham seguido direto para o abatedouro.

Medidas de controle

• Controlar os insetos vetores pode ajudar na prevenção da disseminação da doença.   Criadouros de insetos vetores devem ser eliminados ou reduzidos empregando inseticidas em spray ou em brincos tratados aplicados nos animais.

• Realizar a desinfecção da propriedade onde há maior concentração animal como estábulos, bretes e currais, visando reduzir as áreas contaminadas pelo vírus. Desinfectar todos os equipamentos utilizados como ordenhadeiras e bebedouros. Os desinfetantes empregados são éter, formalina 1%, hipoclorito de sódio 1%, etanol 70%, solução de hidróxido de sódio a 2% (soda cáustica), solução de carbonato de sódio a 4%.

• Destruir o leite proveniente de animais com sinais clínicos; considerando a alta sensibilidade do vírus ao calor, o leite de animais que não apresentam sinais clínicos poderá ser retirado da propriedade e enviado para pasteurização ou para processamento de produtos submetidos a tratamento térmico.



Contatos dos Autores:
http://www.infobibos.com/Artigos/2011_1/EstomatiteVesicular/Index.htm



O conteúdo presente no texto acima é responsabilidade dos Autores citados

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